Washington Post revela esquema de fornecimento de informações falsas

O jornal “Washigton Post” divulgou no início da semana uma reportagem sobre a ligação entre uma mulher que procurou a redação e a empresa Project Veritas, que age para desvirtuar a mídia tradicional e grupos de esquerda. De acordo com o “Post”, a fonte procurou a redação e afirmou ter realizado um aborto aos 15 anos, após um relacionamento com o senador pelo Alabama, Roy Moore. Ao investigar a história, os jornalistas encontraram inconsistências na fala de Jaime T. Phillips.  

Nesta semana, Phillips foi vista entrando no escritório do Project Veritas. Dentre as táticas usadas pela organização, está o uso de notícias falsas para expor o que consideram veículos tendenciosos.
Na matéria, o “Post” optou por divulgar as declarações dadas por Phillips em off, já que trata-se de uma situação excepcional. “Essas conversas são a essência de um plano para nos enganar e humilhar. Não caímos nele por causa de nosso rigor jornalístico, mas não podemos honrar um pedido feito puramente de má-fé”, afirmou no artigo o editor-executivo do jornal, Martin Baron.
De acordo com a matéria, os jornalistas suspeitaram do comportamento de Philips. As investigações apontaram que o prefixo do seu telefone, por exemplo, era do Alabama, Estado em que ela afirmava ter morado por pouco tempo durante a adolescência. A empresa para a qual ela afirmou trabalhar assegurou que não empregava ninguém com aquele nome.
O Post afirmou ainda, que a fonte pressionava os jornalistas a fazerem previsões quanto ao impacto que a publicação da história teria para a candidatura de Moore. Uma página de arrecadação de fundos em nome da fonte também foi encontrada pelos repórteres. O texto da campanha, hospedada no site GoFundMe, pedia dinheiro para uma pessoa que pretendia se mudar para Nova York com objetivo de trabalhar “junto ao movimento conservador para combater as mentiras da mídia de esquerda”.
A investigação também levou a anúncios de ofertas de emprego da Project Veritas, que contratariam “jornalistas infiltrados” dispostos a adotar um pseudônimo, ganhar acesso a uma pessoa de interesse e persuadi-la a revelar informações. Dentre o escopo de trabalho, o profissional teria de agir de acordo com um roteiro, preparar uma história para embasar seu papel e operar equipamentos de gravação escondida.
De acordo com a matéria do “Post”, a situação demonstra a dimensão dos esforços de grupos ativistas para desacreditar veículos de mídia tradicional que divulgaram as denúncias contra Roy Moore. O candidato republicano é acusado de assediar meninas adolescentes enquanto ele tinha cerca de 30 anos, mas nega ter cometido qualquer ato impróprio.
O vídeo em que a fonte é confrontada com essas informações está disponível no site do “Washington Post”, junto às conversas entre Phillips e os jornalistas.

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