Mulheres assumem liderança na mídia digital da América Latina

As mulheres estão conseguindo um papel de liderança no desenvolvimento do jornalismo digital na América Latina, de acordo com um novo estudo de 100 startups.

O estudo, Inflection Point [Ponto de Inflexão], pela SembraMedia em parceria com a Omidyar Network oferece muitas pistas para a meta distante de alcançar a sustentabilidade das novas mídias digitais.

Uma pista é que as mulheres têm as habilidades e experiência para liderar o caminho: 62 por cento das 100 organizações no estudo tinham pelo menos uma mulher fundadora, e as mulheres representavam 38 por cento dos fundadores totais de toda a mídia (pg. 41 na versão em PDF).

As entrevistas extensas com as fundadoras — 25 da Argentina, Brasil, Colômbia e México — produziram dados que esclareceram os elementos dos modelos de negócios bem-sucedidos e mostraram os melhores lugares para investir recursos e treinamento.

“Esta descoberta sugere que as mulheres estão aproveitando as baixas barreiras para a entrada em startups de mídia digital para circundar os tetos de vidro da mídia tradicional e construir suas próprias editoras”, escreveram as diretoras do estudo, Janine Warner e Mijal Iastebner, que também são cofundadoras da SembraMedia. (Observação: Trabalhei como editor do estudo.)

As descobertas são notáveis, dado o domínio masculino da propriedade e gestão na mídia tradicional na América Latina. “Acreditamos que esta descoberta sobre o número relativamente elevado de mulheres em papéis de liderança na mídia digital na América Latina é significativa e merece mais estudos”, escreveram as autoras.

Em um estudo de 2014 sobre a propriedade da mídia mexicana, Aimée Vega Montiel, da Universidade Autónoma do México, descobriu que menos de 1 por cento dos proprietários das estações de televisão eram mulheres e nenhum dos jornais do país incluía uma proprietária mulher. Entre suas outras descobertas:

  • Diretores. Não havia uma mulher entre os 52 membros do conselho do Grupo Televisa e da Televisión Azteca, os dois grupos de televisão dominantes, nem entre outros dois importantes grupos de TV.
  • No rádio, as mulheres tinham 8 por cento das posições de direção; e nos jornais, 11 por cento.
  • Executivos. Na televisão, nenhuma mulher tinha cargos executivos sêniors — não em administração, finanças ou editorial. No rádio, tinham 11 por cento dessas posições estratégicas e na mídia impressa, 13 por cento (2014, pgs. 198-205).

Vega Montiel observou que a falta de acesso das mulheres a cargos de autoridade na mídia no México “as deixam marginalizadas em um dos setores mais importantes do capitalismo global: o das indústrias culturais “(pg. 205). (Leia estudo completo em PDF.)

Evidências anedóticas sugerem que a situação é similar na maioria dos outros países da América Latina.

Histórias de sucesso desafiam as tendências

No entanto, o estudo da SembraMedia/Omidyar é repleto de exemplos de histórias de sucesso da mídia dirigida por mulheres.
  • Economía Femini(s)ta da Argentina, fundada por duas economistas, Mercedes D’Alessandro e Magalí Brosio, produziu artigos que atraíram atenção da mídia internacional, em particular um estudo de desigualdade salarial intitulado “As mulheres ganham menos do que os homens ao redor do mundo, e sua mãe também”. O ministério da economia do país incluiu os artigos da publicação em seu site.
  • Aristegui Noticias do Mexico, fundado e dirigido por Carmen Aristegui, fez parte da equipe original de reportagem da investigação dos “Panama Papers”, que ganhou o Prêmio Pulitzer. Além disso, a equipe de investigação de Aristegui revelou que a esposa do presidente Enrique Peña Nieto havia comprado uma casa de US$7 milhões na Cidade do México com um empréstimo de uma empresa cujo proprietário havia recebido milhões em contratos de Peña Nieto durante seu tempo como governador do estado do México.
  • Juanita León, cofundadora e editora do La Silla Vacía, e sua equipe ganharam o prestigiado prêmio de jornalismo García Márquez em 2016 pela cobertura do processo de paz na Colômbia. Ela e sua equipe foram líderes em visualização de dados, como na seção sobre Super Poderoso da Colômbia.
  • [Nota da Editora] Exemplos do Brasil incluem Kátia Brasil, cofundadora da Amazônia Real, e Tai Nalon, cofundadora e diretora de Aos Fatos. 

O estudo recomenda mais investigação sobre o “fenômeno sem precedentes” das mulheres líderes emergentes na mídia. Também sugeriu que a cobertura desta tendência poderia incentivar mais mulheres a lançarem sua própria mídia. Os recursos para ajudá-las já existem. Muitas organizações e recursos internacionais visam desenvolver mulheres empreendedoras e líderes de mídia. O próximo passo é conectar as empresárias com os recursos.

Este post originalmente no blog News Entrepreneurs de James Breiner e aparece na IJNet com permissãoJames Breiner foi bolsista Knight do IJFJ e lançou e dirigiu o Centro para Jornalismo Digital na Universidade de Guadalajara. Visite seus sites News Entrepreneurs e Periodismo Emprendedor en Iberoamérica.

A IJNet publicou recentemente uma série de artigos que examinam o estudo da SembraMedia. Clique aqui para ler a primeira parte.

Imagem principal sob licença CC no Flickr via Mike Gifford. Imagens secundárias cortesia da SembraMedia.

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