Mudanças tecnológicas nos bois de Parintins são evolução necessária, diz pesquisadora

Ouvir os mais velhos dizendo que as apresentações atuais de Caprichoso e Garantido já não são como as de antigamente é algo normal em Parintins. As mudanças nas toadas e danças, a inserção das alegorias e até mesmo a recente contratação do carnavalesco Paulo Barros pelo boi Caprichoso colocam lenha no debate. Mas será que essas transformações mudam mesmo a essência do boi-bumbá?

“Por mais que haja a mudança, haja o progresso, eu acho que isso nunca vai se perder. Porque existe a religiosidade, a crença, o amor. Isso é muito magnífico”. A declaração é da pesquisadora Eliane Mergulhão, presidente da rede de pesquisadores Folkcom, que esteve em Manaus na última semana para divulgar a 19ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, evento com objetivo de incentivar a pesquisa sobre a comunicação popular. A conferência acontece em Parintins no próximo ano.

Segundo Eliane, as mudanças que manifestações folclóricas tradicionais do Amazonas como o boi-bumbá, as pastorinhas de Parintins e a ciranda de Manacapuru vêm sofrendo ao longo do tempo são necessárias. “O homem precisa evoluir. Ele utiliza a tecnologia para mostrar o amor que ele tem pelo boi. Isso é evolução. Esse é um bem necessário”, afirma.


Eliane Mergulhão durante oficina na Ufam, em Manaus. Foto: Divulgação 

A evolução tecnológica e polêmicas como a contratação do carnavalesco Paulo Barros pelo boi Caprichoso agregam aos bumbás, acredita a pesquisadora. “Elas não interferem na questão da cultura, porque a manifestação não deixa de ser manifestação com isso. As pastorinhas, por exemplo, passam de geração para geração e aproveitam aquilo que é dado pra elas”, pondera.

Durante a última semana, Eliane ministrou oficinas em Parintins e Manaus para alunos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) com a intenção de divulgar o evento que será promovido pela Folkcom no Amazonas em 2018.

Conferência de Folkcomunicação

Entre os dias 25 e 27 de junho de 2018, o campus de Parintins da Ufam vai sediar a 19ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação. Essa será a primeira vez que a região Norte do país recebe o evento, que é realizado anualmente e conta com a presença de pesquisadores da América Latina.

A Folkcomunicação é a primeira teoria brasileira da Comunicação. Criada em 1967 pelo pesquisador brasileiro Luiz Beltrão, ela tem como objetivo estudar a comunicação popular, fora dos meios de comunicação de massa. Na área, o folclore é um dos campos de estudo com maior quantidade de pesquisas. O campus da Ufam de Parintins foi escolhido para sediar a 19ª Conferência pelo fato de ter o primeiro curso (Jornalismo) da região norte com a disciplina Folkcomunicação na grade curricular. Além de ser a terra do boi-bumbá.

Eliane Mergulhão

A pesquisadora Eliane Mergulhão possui doutorado e pós-doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista. Ela é graduada em Letras e também tem mestrado em Língua Portuguesa (PUC-SP). Atualmente, além de presidir a Folkcom (rede de pesquisadores da Folkcomunicação), Eliane ministra aulas em universidades e cursinhos do interior de São Paulo.

Por Vitor Gavirati | AC

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