Artesão parintinense transforma lixo em arte

O parintinense Denizal Melo, 45, vive em Manaus desde os 9 anos. Ele se considera “o índio do futuro”, por ser o pioneiro e único artesão no Amazonas que transforma lixo eletrônico em arte, com materiais descartados e que teriam como destino o lixo.

Segundo o artesão, todo material eletrônico que pode ser reaproveitado, ele coleta, separa e recicla. Os que sobram ainda são levados para uma coleta autorizada. As principais matérias que ele trabalha são componentes eletrônicos, monitores, notebooks, mouses, teclados, HDs, roteadores, celulares, CDs e DVDs. Todos eles viram artigos de decoração, biojóias ou brinquedos nas mãos do artista.

O interesse de Denizal por essa arte, começou no sonho de ser técnico em manutenção de computadores. Após um curso de especialização, ele conta que a curiosidade o fez perceber que aqueles materiais poderiam ser reutilizados de outra forma.

A primeira peça do artesão foi durante o curso de manutenção de placa mãe, utilizando a peça que iria para o lixo, ele fez a sua primeira escultura: um relógio. Com um bom resultado, a próxima peça foi uma motocicleta. Apaixonado por elas, ele começou uma produção de miniaturas, chegando a alcançar mais de 700 peças já confeccionadas.

Todas as suas peças são feitas com material que teria o lixo como destino | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

A principal obra de Denizal foi a escultura feita da Arena da Amazônia em 2014. Ela levou 3 meses para finalizar a peça.  Tinha um metro de largura  e quarenta centímetros de altura. Foram utilizadas 7 placas mãe, películas de LCD, mais de 70 memórias de RAM, placas de HD, acrílico de telas de notebooks, entre outros materiais. Na época a peça do artesão ganhou repercussão internacional.

Hoje ele tem mais de 1.200 peças catalogadas, espalhadas pelo Brasil e no mundo. São Paulo, Rio de Janeiro, Austrália e Londres, são alguns dos lugares. A peça mais recente foi enviada ao México. A encomenda partiu de um colecionador de cavalos.

O artistas já tem mais de 1.200 peças catalogadas | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

O lixo eletrônico é uma ameaça não só para o meio ambiente como para a saúde humana. A experiência vem do próprio artesão que sentiu as consequências desses resíduos. ” No começo eu não tinha o cuidado com os resíduos desses materiais. Eu inalava sem nenhuma proteção aqueles ácidos, líquidos, minha asma piorou muito. Mas, eu fui aprendendo e tendo consciência de como trabalhar da melhor forma. Hoje eu trabalho com toda a segurança, máscara, luva e em local adequado”.

O artista participa de feiras e eventos e possui uma loja em um shopping da cidade | Foto: Reprodução/ Acervo pessoal

“Meu grande sonho é colocar postos de coletas em vários locais da cidade. Quero pelo menos começar no meu bairro e expandir isso. Infelizmente sozinho eu não consigo muita coisa, não tenho apoio para desenvolver, mas eu ainda vou realizar esse meu desejo”.

Para quem quiser adquirir uma peça do artista, a loja está localizada no Sumaúma Park Shopping no “Espaço Sustentável” – 1º piso. A média dos preços varia entre R$20 e R$2.500 , dependendo do tamanho e quantidade de horas que o artista levou na produção da peça. A próxima exposição em que ele irá participar, está prevista para ser realizada em dezembro no zoológico do CIGS, em Manaus.

Por Taina Benevides

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