A MISS BRASIL AMAZONENSE

A minha Miss Brasil amazonense é outra, me desculpe a que foi eleita que é belíssima. Minha Miss trabalha na feira, na barraquinha do bairro e até faxina em casa de patroa faz. Sempre com sorriso fácil, seu bom humor só é derrubado pelas agressões da vida. Mas segue brincando, tirando sarro de tudo, falando alto com seus dentes branquinhos e as olheiras pois anda dormindo mal. Seu bebê está doente, o pai é ausente…

Quando acaba o dia, quer estar cheirosa, perfumosa, mas sempre se sente o cheirinho de limão em suas mãos, pra tirar o pitiú do peixe que limpou durante a tarde quente de trabalho. Minha Miss não tem perna fina de desfile, mas coxa grossa, pois vai sempre de bicicleta pro trabalho, e depois à faculdade.

Parece até que ela carrega o mundo nas costas! À noite nas aulas está cansada, mas sempre sorrindo, cordial com os colegas, mas com dificuldades na matéria. O professor é exigente…

São tantas delas por aí. Como não se encantar? Nos últimos tempos se afastou da igreja, pois percebeu que o mundo era maior do que um templo de cimento e já se cansou de ordens dadas por homens de paletó e gravata. Se afastou de namorados mandões, pois o mundo já lhe é pesado demais pra ter macho a adular.

Hoje ela se une a outras “misses”, com lenços lilás esvoaçantes no pescoço ou fitinhas na cabeça. Estão se unindo contra a imbecilidade masculina que teima em se afirmar em nome de um “mito”. Minha Miss amazonense é anti-fascista, e como são muitas delas, deixo aqui minha singela declaração: Força! Estamos com vocês!

Estevan Bartoli – geógrafo e admirador de todos os que lutam!

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